Conectividade, reconstrução e autonomia: o que aprendemos com as redes municipais do Rio Grande do Sul
Em 2024, as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul afetaram profundamente a vida de milhares de pessoas e também a estrutura das redes públicas de ensino. Escolas foram danificadas, serviços precisaram ser reorganizados e municípios passaram a lidar com uma série de prioridades urgentes em um cenário de restrição de recursos.
Foi nesse contexto que nasceu uma parceria entre a MegaEdu, o Governo Britânico no Brasil e a Internet Society Foundation para apoiar municípios gaúchos na reconstrução e no fortalecimento da conectividade escolar.
De um edital à construção de planos para cada rede
Em meados de 2025, lançamos um edital para oferecer apoio técnico gratuito a redes municipais afetadas pela crise climática, com prioridade para os municípios mais atingidos pelas enchentes.
A partir da análise das candidaturas e de entrevistas com as equipes das secretarias, 16 redes municipais foram selecionadas para participar de uma jornada de 18 meses. Entre elas, estavam Alegrete, Arroio do Meio, Arroio dos Ratos, Barão do Triunfo, Caxias do Sul, Eldorado do Sul, Encantado, Guaíba, Ijuí, Passo Fundo, Planalto, Santa Maria, Santo Antônio da Patrulha, São Jerônimo, São Luiz Gonzaga e Sapucaia do Sul. Além delas, a rede estadual de educação do Rio Grande do Sul também participou do projeto.
A partir da seleção, começou o trabalho de diagnóstico das redes. O objetivo era entender como as enchentes haviam afetado a conectividade das escolas e quais necessidades permaneciam em cada município. As informações levantadas pelas escolas foram consolidadas pela MegaEdu para oferecer às secretarias uma visão da situação da rede como um todo.
A partir desse diagnóstico, foi possível identificar diferentes necessidades. Uma escola poderia, por exemplo, ter tido sua infraestrutura de conectividade afetada pelas enchentes; outra poderia precisar priorizar equipamentos; outra poderia ter condições de avançar por meio de recursos e políticas públicas já disponíveis. Com base nessa leitura, os municípios receberam planos de conectividade individualizados, organizados de acordo com sua realidade e suas prioridades.
O processo também ajudou a estruturar informações que, em alguns municípios, ainda não estavam consolidadas em um diagnóstico técnico da conectividade das escolas. Ao final dessa etapa, as equipes passaram a contar com uma visão mais organizada da própria rede e com um plano para orientar as próximas decisões.
Ao longo do projeto, foram realizados 16 diagnósticos e elaborados 16 planos de conectividade. Esses resultados ajudam a dimensionar a escala do apoio técnico oferecido às redes.
Fortalecimento das relações em redes
Além dos diagnósticos e planos de conectividade, a MegaEdu trabalhou com uma premissa importante: em um contexto de restrições orçamentárias e reconstrução após as enchentes, era fundamental que as próprias redes estivessem preparadas para compreender os desafios, identificar oportunidades e tomar decisões sobre tecnologia. Por isso, o projeto também teve um forte caráter de formação de liderança.
Ao longo da jornada, realizamos agendas periódicas com técnicos e gestores, treinamentos e encontros coletivos sobre temas relacionados à implementação da agenda de tecnologia. As discussões passaram por políticas públicas de conectividade, possibilidades de financiamento, manutenção da infraestrutura e transformação digital da educação. A formação também respondeu às demandas que surgiram das próprias redes, levando para os encontros temas como computação, inteligência artificial, sistemas de gestão e os impactos das mudanças climáticas sobre o planejamento educacional. Mais de 30 profissionais participaram das atividades de formação realizadas ao longo do projeto.
Os encontros presenciais de planejamento ampliaram ainda mais esse processo. Além de consolidar os planos e discutir estratégias de implementação, eles criaram espaços para que municípios com diferentes níveis de experiência compartilhassem soluções, dificuldades e formas de organizar a agenda de tecnologia.
Os encontros também favoreceram a troca entre municípios com diferentes níveis de experiência na implementação da agenda de tecnologia. Redes que já haviam avançado em determinados processos puderam compartilhar práticas e aprendizados com aquelas que enfrentavam desafios semelhantes, criando referências que apoiaram outras equipes na tomada de decisões e na organização de suas próprias agendas.
Para Arthur Santos, Analista de Implementação Sênior da MegaEdu e líder do projeto, esse movimento foi um dos resultados que extrapolaram a agenda inicialmente prevista:
‘’Apoiamos o processo formativo de profissionais para lidar com um mundo cada vez mais complexo, tornando-os mais capazes de endereçar desafios de conectividade em suas Secretarias.’’
Da reconstrução da conectividade a uma política de tecnologia
Enquanto as redes municipais avançavam em seus diagnósticos e planos, a rede estadual do Rio Grande do Sul também estruturava sua agenda de tecnologia.
Com apoio da MegaEdu no planejamento e na implementação da agenda de conectividade e tecnologia escolar, o estado publicou uma Política de Tecnologia para a Rede Estadual de Educação do Rio Grande do Sul, formalizando diretrizes para orientar decisões futuras.
“A cada aumento de 10% na conectividade das escolas, o PIB de um país pode crescer até 3%”, destacou Cristieni Castilhos, CEO da MegaEdu, durante o lançamento da Política de Tecnologia para a rede estadual do Rio Grande do Sul.
A publicação da política representa uma mudança em relação a decisões tomadas de forma pontual: a rede passa a contar com um documento formal para orientar a agenda de tecnologia, dando mais previsibilidade ao planejamento de investimentos e às próximas ações da secretaria.
O movimento também mostra como a reconstrução após uma crise pode abrir espaço para reorganizar processos que vão além da resposta imediata aos danos causados pelas enchentes.
O encerramento de uma jornada de 18 meses
Após 18 meses de projeto, chegamos ao encerramento dessa etapa em um encontro realizado no TecnoPUC, em Porto Alegre, reunindo representantes dos municípios participantes e equipes envolvidas na jornada.
O encontro foi uma oportunidade para revisitar os avanços e os desafios encontrados na implementação da agenda de tecnologia nas redes e discutir novos temas, como conectividade, computação e as perspectivas para a educação até 2030.
Para Arthur, a experiência reforçou a importância de combinar conhecimento técnico e proximidade com quem implementa as políticas públicas:
“Acredito muito em um modelo de projeto que garante aporte de conhecimento técnico, constrói comunidades de aprendizagem e atua como radar de temas relevantes para quem implementa na ponta”.




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