TIC Educação 2025 destaca integração entre sistemas como próximo desafio para a gestão educacional
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A edição 2025 da Pesquisa TIC Educação, divulgada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), traz novos dados sobre o acesso, o uso e a apropriação de tecnologias digitais nas escolas brasileiras. Nesta edição, um dos destaques está relacionado à adoção de sistemas digitais para atividades de gestão escolar, evidenciando que a transformação digital das redes de ensino avança para uma etapa em que a integração entre essas ferramentas passa a ser cada vez mais importante.
Os resultados mostram que 93% dos gestores escolares utilizam algum sistema digital de gestão, indicando que essas soluções já fazem parte da rotina da maioria das escolas. Ao mesmo tempo, 50% apontam a falta de integração entre sistemas como um dos principais desafios, percentual superior ao da falta de suporte técnico (45%). Além disso, 86% dos gestores ainda usam planilhas paralelas, enquanto 80% recorrem simultaneamente a sistemas disponibilizados pelas redes de ensino, cenário que demonstra que não é suficiente apenas ter um sistema, precisamos garantir que seja de fato um sistema de qualidade, caso contrário muitas informações permanecerão distribuídas em diferentes plataformas.
Os dados demonstram que para que o Brasil possa avançar na transformação digital a próxima etapa deve passar pela adoção de novas ferramentas e pela capacidade maior de integrar os sistemas já existentes. Quando essas soluções possibilitam maior compartilhamento de informações, elas reduzem o retrabalho, ampliam a disponibilidade de dados para gestores e fortalecem a tomada de decisão baseada em evidências.
A TIC Educação também traz resultados importantes relacionados à conectividade das escolas. Embora 93% das escolas possuam computadores, apenas 62% reúnem, ao mesmo tempo, computadores e acesso à internet para atividades pedagógicas. Em outras palavras, os dispositivos são a peça que conecta a internet disponível, ao uso efetivo por estudantes e professoras.
O Brasil avançou no sentido correto ao restringir o uso de celular nas escolas. Porém, para que seja efetiva, essa política precisa vir acompanhada de investimento em computadores. Os dados mostram que as regiões com menos acesso a computadores são justamente as que ainda precisam usar o celular como instrumento pedagógico, apesar de já sabermos que ele não é o equipamento correto para uso em sala de aula. Para avançar de fato com o uso adequado da tecnologia, é indispensável que as escolas tenham dispositivos adequados para os alunos.
Outro dado inédito mostra que 76% das escolas com acesso à internet solicitaram reparos ou suporte técnico nos últimos 12 meses. O Brasil avançou muito na disponibilidade de internet e wifi, esse dado mostra agora a importância de garantir a manutenção da infraestrutura para que as tecnologias possam ser utilizadas de forma contínua.
Além da conectividade e da disponibilidade de dispositivos, o levantamento identifica a incorporação de novas tecnologias ao cotidiano escolar. Mais da metade dos gestores (53%) afirma utilizar Inteligência Artificial generativa em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira. Em contrapartida, apenas 22% das escolas possuem orientações formais sobre o uso da tecnologia em atividades de ensino, aprendizagem e gestão, indicando oportunidades para o desenvolvimento de diretrizes e políticas que apoiem sua adoção de forma responsável.
Por se tratar de uma pesquisa amostral, a TIC Educação permite acompanhar tendências nacionais relacionadas ao uso de tecnologias digitais nas escolas brasileiras. Seus resultados podem ser complementados pelos dados censitários disponibilizados pelo Ministério da Educação, que apresenta informações sobre cada escola do país.
Em conjunto, os dados demonstram que a transformação digital da educação brasileira avança para uma etapa de maior maturidade. Se a conectividade segue sendo uma condição essencial para o uso das tecnologias, temas como integração de sistemas, governança de dados e uso responsável da inteligência artificial ocupam um papel cada vez mais estratégico.
Mais do que ampliar o acesso às ferramentas digitais, o desafio, agora, é criar condições para que elas funcionem de forma integrada e contribuam para uma gestão educacional mais eficiente e baseada em evidências.




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