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Expectativas para a educação em 2026: o que vem pela frente?


O ano de 2025 marcou avanços importantes na conectividade das escolas públicas brasileiras. Políticas nacionais se consolidaram, dados se tornaram mais acessíveis e a infraestrutura começou a chegar a territórios historicamente desconectados.


Mas o início de 2026 traz uma virada de chave: acesso, por si só, não é suficiente. O desafio agora é transformar conectividade em aprendizagem significativa, com equidade, planejamento e capacidade de gestão nas redes públicas.


Dados recentes, balanços das políticas nacionais e metas em curso apontam que o próximo ano deve consolidar marcos importantes na infraestrutura digital, na integração pedagógica das tecnologias e em agendas estruturantes de equidade e aprendizagem.


Continue a leitura e descubra os principais temas que devem guiar decisões, investimentos e prioridades das redes de ensino em 2026!


Universalização da conectividade nas escolas públicas


A Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC) tem como meta conectar todas as escolas públicas até o final de 2026. De acordo com o Ministério da Educação, 69,7% das escolas já contam com infraestrutura adequada de conectividade, o que inclui acesso à internet em velocidade mínima, Wi-Fi nos ambientes pedagógicos e energia elétrica estável.


A etapa final da ENEC não será apenas técnica. Os desafios incluem:


  • Conectar as 34 mil escolas restantes com soluções adequadas ao território;

  • Assegurar sustentabilidade financeira e manutenção contínua da conectividade;

  • Integrar infraestrutura, dispositivos e suporte técnico ao cotidiano escolar.


Nesse contexto, políticas públicas estruturantes ganham centralidade. Programas como o Aprender Conectado, voltado especialmente a escolas em áreas remotas, a regulamentação do FUST como fonte permanente de financiamento e iniciativas de acompanhamento técnico, como o Indicador Nacional de Escolas Conectadas (INEC), são fundamentais para garantir que a universalização avance com equidade, qualidade e capacidade de monitoramento.


A universalização só será completa quando todas as escolas tiverem condições reais de usar a internet como recurso pedagógico e administrativo.


Políticas para o uso pedagógico da tecnologia


Para alcançar estes resultados, é crucial o avanço da infraestrutura. O foco agora se desloca para o uso efetivo da tecnologia em sala de aula sendo prioridade para redes que buscam integrar recursos digitais ao planejamento, à formação docente e à avaliação da aprendizagem.


A ENEC deve seguir como eixo articulador da política de conectividade. Já no campo pedagógico, contamos com políticas consolidadas como o Programa de Inovação Educação Conectada (PIEC), que orienta como a tecnologia deve ser incorporada às práticas educacionais e especialmente neste campo, estabelece duas dimensões complementares:


  • Recursos Educacionais Digitais, que trata da tecnologia como recurso pedagógico, incentivando a integração de conteúdos e ferramentas digitais ao currículo e às práticas de ensino;

  • Visão, que define o papel estratégico da tecnologia no projeto pedagógico das redes e das escolas, reforçando que conectividade e dispositivos são meios para qualificar a aprendizagem, e não um fim em si mesmos.


Paralelamente a esse movimento, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) passou a incorporar de forma mais explícita a educação digital e o pensamento computacional como dimensões estruturantes da formação dos estudantes. A BNCC Computação, aprovada pelo Conselho Nacional de Educação, orienta as redes de ensino a integrar competências relacionadas à cultura digital, ao uso crítico da tecnologia e à compreensão do mundo digital ao longo da educação básica.


Ao estabelecer que essas competências devem ser desenvolvidas de forma integrada às áreas do conhecimento, a BNCC amplia o entendimento sobre o papel da tecnologia na escola: não como elemento acessório, mas como recurso pedagógico articulado ao currículo, à prática docente e aos processos de aprendizagem.


Nesse contexto, políticas voltadas à educação digital passam a dialogar com uma agenda mais ampla de transformação pedagógica. O desafio que se projeta para 2026 deixa de ser apenas o acesso à conectividade e avança para a consolidação de práticas educacionais que utilizem a tecnologia de forma intencional, alinhada ao currículo e orientada ao desenvolvimento de competências contemporâneas.


Mas, qual o desafio?


Apesar da expansão da infraestrutura, os dados mostram que ainda há barreiras importantes para o uso pedagógico da tecnologia:


  • Formação docente insuficiente: apenas 54% dos professores da rede pública participaram de formação continuada sobre tecnologias digitais no último ano, segundo dados da TIC Educação 2024.

  • Falta de orientação aos alunos: apenas 19% dos estudantes receberam instruções sobre como usar IA em atividades escolares, apesar de 70% já utilizarem essas ferramentas, ainda segundo a TIC Educação 2024.

  • Integração ao currículo é incipiente: poucas redes tratam conectividade como parte do projeto pedagógico; a maioria ainda a enxerga apenas como infraestrutura.


Impulso de agendas estruturantes


Enquanto a conectividade e o uso pedagógico da tecnologia avançam como políticas setoriais fundamentais, o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2024–2034) surge como o marco estruturante que organiza essas agendas em uma visão de longo prazo para a educação pública brasileira.


Em fase final de consolidação, o novo PNE deverá orientar prioridades, metas e investimentos para a próxima década, criando condições para que iniciativas como a conectividade escolar, a formação docente e a inovação curricular deixem de ser ações fragmentadas e passem a integrar uma estratégia educacional coerente e contínua.


Para 2026, a expectativa é que o PNE se consolide em três frentes centrais, diretamente conectadas ao debate sobre tecnologia na educação:


  • Redução das desigualdades regionais, garantindo que políticas nacionais considerem as diferentes realidades territoriais e priorizem redes e escolas em maior situação de vulnerabilidade;

  • Valorização e formação docente, condição indispensável para que a tecnologia seja integrada de forma crítica, pedagógica e alinhada ao currículo;

  • Inovação curricular orientada por evidências, promovendo práticas educacionais que dialoguem com a cultura digital, sem perder de vista a aprendizagem e a equidade.


A execução do PNE exigirá coordenação federativa, uso de dados confiáveis e integração entre União, estados e municípios, com tecnologia digital como meio, não fim.


Inteligência Artificial na educação


E por falar em tecnologia, a presença da Inteligência Artificial no cotidiano escolar já é uma realidade. De acordo com a informação trazida anteriormente, cerca de 70% dos estudantes do ensino médio afirmam já ter utilizado ferramentas de IA generativa para atividades escolares. Em contrapartida, apenas 19% relatam ter recebido algum tipo de orientação formal sobre como utilizar essas tecnologias de forma pedagógica, crítica e responsável.


Como destaca Cristieni Castilhos, Diretora Executiva da MegaEdu, em artigo publicado no Nexo Jornal, “sem acesso à internet, os estudantes não apenas aprendem menos: eles têm menos chances de desenvolver habilidades digitais e pensamento crítico, competências que já são essenciais para o trabalho, para a vida e para a cidadania”.

Nesse contexto, a IA tende a ampliar oportunidades apenas onde já existe base digital, podendo aprofundar desigualdades em territórios ainda desconectados ou com infraestrutura precária.


A experiência internacional mostra que a IA pode apoiar a personalização da aprendizagem, análise de desempenho e redução de burocracias. No Brasil, porém, esse potencial depende de condições prévias: conectividade estável, dispositivos, dados organizados e capacidade de gestão. Sem isso, a chamada “revolução da IA” corre o risco de permanecer restrita a poucos contextos.


Os avanços recentes na conectividade escolar indicam que esse caminho é possível. Em diferentes regiões do país, redes que estruturam sua base digital já começam a integrar tecnologia ao currículo, à gestão e à formação docente. Esses casos reforçam que a IA não é um ponto de partida, mas um estágio avançado de uma política educacional bem estruturada.


Para 2026, o desafio das redes públicas não será apenas decidir se usar IA, mas como, para quê e para quem. Isso envolve um regulamento que apoie a formação docente contínua, oriente crítica a estudantes e direcione um uso responsável dos dados para o fortalecimento da governança tecnológica. Como alerta Cristieni, “a IA não será neutra”: sem inclusão digital, ela pode tornar invisíveis milhões de estudantes.


Nesse sentido, garantir conectividade de qualidade nas escolas segue sendo uma condição básica para que a IA contribua para a aprendizagem, para a equidade e para o desenvolvimento humano. Tecnologia sem acesso é privilégio. Com acesso, pode ser transformação.


Sustentabilidade das redes conectadas


Conectar é um passo fundamental. Manter, qualificar e evoluir essa infraestrutura é o verdadeiro desafio. Em 2026, a sustentabilidade deve ocupar um lugar central no debate sobre educação digital, especialmente à medida que as redes avançam da fase de implantação para a consolidação das políticas de conectividade.


Para que os investimentos realizados se transformem em impacto duradouro, as redes precisam estruturar estratégias que contemplem:


  • Manutenção contínua e suporte técnico, evitando a deterioração da infraestrutura instalada;

  • Atualização planejada de equipamentos, acompanhando a evolução tecnológica e as necessidades pedagógicas;

  • Previsibilidade de financiamento, garantindo a continuidade das iniciativas ao longo do tempo.


Esse debate ganha ainda mais relevância conforme avançam os ciclos de execução da ENEC e dos recursos do FUST, reforçando a importância de modelos sustentáveis de gestão. Em 2026, a conectividade escolar deixa de ser apenas uma entrega e passa a ser um ativo público permanente, que exige planejamento, governança e visão de longo prazo.


Sistemas de gestão e uso de dados


Com o avanço da conectividade e o uso da IA, 2026 também tende a marcar um novo momento para a gestão educacional: o fortalecimento dos sistemas de gestão como base para políticas mais eficientes e integradas. A expectativa é que estados e municípios ampliem o uso de ferramentas digitais para organizar informações, acompanhar trajetórias e apoiar decisões do dia a dia.


Sistemas de gestão educacional estruturam processos centrais da educação pública, como matrícula, frequência, aprendizagem e alocação de professores. Como resultado, permitem que dados administrativos deixem de ser registros dispersos para se tornarem instrumentos de gestão contínua.


Na ENEC, a transformação digital e a gestão é um dos pilares centrais, reforçando a importância de tecnologias que apoiem a gestão eficiente de sistemas educacionais, integrem dados e garantam interoperabilidade entre plataformas. 


Esse debate ganhou força recentemente a partir de agendas internacionais, como a missão à Índia - organizada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Fundação Lemann, a MegaEdu e a organização indiana Centre for Open Societal Systems (COSS).

Na data, que evidenciou o papel da infraestrutura pública digital na organização de serviços essenciais, a experiência mostrou como sistemas interoperáveis e dados confiáveis podem apoiar políticas públicas em larga escala, respeitando contextos locais.


No Brasil, em que muitas redes ainda operam com sistemas fragmentados ou inexistentes, o desafio para 2026 é avançar em modelos que promovam integração, segurança da informação e capacidade de uso dos dados pelas secretarias e escolas. Com a conectividade estabelecida, os sistemas de gestão tendem a se consolidar como um pilar para a continuidade, a equidade e a qualidade das políticas educacionais.


Visto todos esses pontos, o fato é de que o ano de 2026 será estratégico para consolidar a infraestrutura digital como base para a qualidade da educação. Mais do que conectividade, o desafio será garantir uso significativo, formação permanente e decisões orientadas por dados, com foco em aprendizagem e equidade. 


 
 
 
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