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Do papel ao digital: acesso que transforma a rotina de uma escola no Maranhão

  • Foto do escritor: MegaEdu
    MegaEdu
  • há 12 horas
  • 3 min de leitura

No Centro de Ensino Professor José Cesário, em Açailândia, no interior do Maranhão, a tecnologia deixou de ser um recurso complementar para se tornar parte essencial da rotina escolar. Localizada na periferia da cidade e com cerca de 600 alunos, a escola vive uma realidade comum a muitas instituições públicas brasileiras: alta demanda administrativa, emissão constante de documentos e forte vínculo com políticas públicas sociais.

O que mudou nos últimos anos não foi o tamanho da escola, nem o perfil dos estudantes, mas sim a forma de organizar essa rotina. E é esta trajetória que contamos a seguir.


Quando a burocracia vira barreira para a comunidade


Durante muito tempo, a gestão escolar foi sustentada por processos manuais. O diário de classe era preenchido à mão; documentos precisavam ser assinados e levados presencialmente até a Secretaria; pastas e armários acumulavam arquivos físicos. E, do lado de fora da secretaria, pais e responsáveis enfrentavam deslocamentos frequentes para buscar declarações de matrícula e boletins.


Em uma comunidade em que mais da metade das famílias depende de programas sociais que pedem comprovação periódica de vínculo escolar, o impacto era direto: filas, tempo perdido e demandas simples que podiam levar dias para serem resolvidas — especialmente para famílias que já lidam com distância, trabalho informal e limitações de transporte.


A escola funcionava, mas com um custo alto: a energia da gestão e da equipe era consumida por tarefas operacionais, reduzindo o espaço para o foco pedagógico.


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A rotina começou a mudar quando a sala de secretaria escolar deixou de ser o centro da operação. Célio Rodrigues, diretor do Centro de Educação, relembra: “Quando a gente saiu do diário de papel para o diário eletrônico foi uma grande mudança. Hoje tudo é online.”


Parte dessa transformação veio com a consolidação de sistemas estaduais de gestão, como o Sistema Integrado de Avaliação da Educação Pública (SIAEP) — conhecido como diário eletrônico — e o Sistema Integrado de Gestão de Parcerias (SIGEP), usado na gestão de pessoas. A partir daí, o trabalho passou a seguir um fluxo digital: o que antes dependia de preenchimento manual e deslocamento passou a ser resolvido no sistema, com acompanhamento e registro em tempo real.


Hoje, por exemplo, a frequência é lançada diariamente, e a escola ganha agilidade em tarefas que antes travavam a rotina:


  • Processos administrativos são abertos e acompanhados digitalmente;

  • Declarações são emitidas em PDF e enviadas às famílias;

  • Reuniões com a regional acontecem por videoconferência. 


Como resultado, a conectividade deixou de ser apenas suporte e passou a sustentar toda a gestão escolar. Para a comunidade escolar, a diferença é concreta: muitas famílias já não precisam ir várias vezes à escola apenas para comprovar matrícula. Para a gestão, aumenta a autonomia e o fluxo com a Secretaria fica mais ágil, com dados organizados e registros atualizados.


“A tecnologia hoje é essencial para tudo aqui na escola. Desde imprimir uma declaração até organizar a frequência dos alunos”, salienta o diretor Célio. 


A transformação também chegou às sala de aula


Mas a mudança não ficou restrita à secretaria da escola. Com a internet integrada à rotina escolar, professores passaram a incorporar ferramentas digitais ao planejamento pedagógico. 


Isso significa que plataformas como Google Classroom começaram a ser utilizadas para atividades complementares, grupos de WhatsApp organizam a comunicação com as turmas e a plataforma de vídeos YouTube passou a ampliar o repertório de explicações em conteúdos mais complexos do ensino médio.


“Quando o professor consegue envolver o aluno usando a tecnologia como aliada, a gente vê uma melhora”, conclui Célio.


Com essa melhoria, a escola passou a participar de formações remotas com especialistas de outros estados — algo que antes exigiria deslocamentos e custos inviáveis. A videoconferência reduziu distâncias administrativas e ampliou possibilidades formativas.


Os dados do diagnóstico da rede reforçam essa consolidação: 95% dos professores utilizam internet para fins educacionais e 65% dos alunos usam a internet como ferramenta de aprendizagem. Mais do que números, esses percentuais revelam uma cultura digital já incorporada à prática escolar.


Conectividade como estrutura, não como acessório


Hoje, imaginar a escola funcionando sem internet parece improvável. Como relata Célio, se a internet não funciona, a escola sente na hora. No fim, tudo depende dela. E essa dependência não é fragilidade, é evidência de avanço.


Em Açailândia, a transformação não veio com grandes anúncios. Ela começou com sistemas operando de forma eficiente, processos digitalizados e equipes se apropriando das ferramentas disponíveis. Aos poucos, a internet passou a sustentar toda a escola, apoiar a aprendizagem e fortalecer a relação entre alunos, famílias e comunidade.


No fim, quando o acesso funciona, a rotina flui e o tempo da escola volta para onde sempre deveria estar: na educação.


 
 
 

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