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Conectividade e gestão integrada impulsionam a educação estadual no Rio Grande do Norte

Imagem: Pipa Notícias
Imagem: Pipa Notícias

Até pouco tempo atrás, a rotina de muitas escolas da rede estadual do Rio Grande do Norte era marcada por limitações que iam além da sala de aula. Professores registravam frequência e notas de forma esporádica, gestores acumulavam informações em planilhas descentralizadas e o acompanhamento da vida escolar dos estudantes acontecia com atraso. 


Essas limitações eram resultado, principalmente, da falta de internet de qualidade, da escassez de dispositivos e de sistemas que não conversavam entre si. Nesse contexto, os impactos recaíam diretamente sobre a gestão da educação e a implementação de políticas públicas.


Programas que dependem de dados atualizados, como o Pé de Meia, encontravam obstáculos para funcionar plenamente. A comunicação entre escolas e Secretaria era fragmentada, especialmente em unidades mais distantes, exigindo deslocamentos frequentes ou contatos pouco eficientes por telefone.


O professor Jefferson Paiva, da escola estadual João Alves de Melo, comenta: "Antes, registrar a frequência e as notas era um desafio diário; muitas vezes dependíamos de planilhas e do tempo limitado de acesso à internet".


Mas como foi transformar essa realidade em uma rede com 587 escolas e cerca de 196 mil estudantes, que dependem de sistemas funcionando plenamente para garantir uma educação que vá além de apostilas, livros e internet limitada?


Da infraestrutura à integração digital


Foi diante desse contexto que a Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte iniciou um processo estruturado de transformação digital, com apoio técnico da MegaEdu. A estratégia partiu de um princípio claro: não bastava levar internet às escolas, era preciso garantir que ela estivesse integrada ao dia a dia da gestão e do trabalho pedagógico.


O primeiro passo foi garantir conectividade em toda a rede estadual a partir de uma estratégia unificada da Secretaria de Educação, assegurando que todas as escolas tivessem acesso à mesma tecnologia e a padrões equivalentes de velocidade e qualidade de internet. Hoje, as 587 escolas estaduais contam com acesso à internet dentro dos parâmetros definidos para a rede. 


Segundo o Painel Escolas Conectadas, vinculado à Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC), 520 dessas escolas (88,6%) já atendem aos parâmetros adequados de conectividade definidos pelo indicador. O desafio agora está em expandir e qualificar a cobertura wi-fi nos ambientes pedagógicos, condição essencial para que a tecnologia chegue plenamente à sala de aula.


“Hoje, com Wi-Fi nas escolas e notebooks para professores, a rede passou a registrar frequência e desempenho dos alunos de forma contínua e em tempo real" , destaca José Firmino Dantas Neto, coordenador de tecnologia da SEDUC-RN. 


Com a infraestrutura estabelecida, a transformação começou a aparecer na rotina. A entrega de notebooks para todos os professores criou as condições para que o registro de informações, o planejamento pedagógico e o uso de ferramentas digitais acontecessem dentro da própria escola. Ao mesmo tempo, a implantação de um sistema único de gestão escolar passou a centralizar dados de matrícula, frequência, notas e relatórios administrativos.


"Agora posso mostrar conteúdos visuais e vídeos na hora, sem depender de livros ou impressões; o ensino ficou muito mais dinâmico”, comenta o professor Jefferson.


A ampliação do acesso a dispositivos também mudou a forma como os alunos utilizam a tecnologia no dia a dia escolar. Para Adriano Marques, professor de Matemática no Centro Estadual de Educação Profissional Professora Lourdinha Guerra, “antes havia apenas um laboratório para 12 turmas. Com os Chromebooks, a escola deixou de ter um laboratório para ter três. O uso aumentou muito”.


No quesito técnico, a diretora Denise, da Escola Estadual Desembargador Licurgo Nunes descreve que antes das mudanças, era um sofrimento até para buscar fichas de alunos. “Hoje, no SIGEduc, é só digitar o ano e o nome, e aparece tudo. Antes a gente fazia à mão, hoje o sistema entrega pronto”. 


O SIGEduc é um Sistema de Gestão Educacional utilizado pelas Secretarias de Educação estaduais e municipais para gerenciar todas as atividades acadêmicas e administrativas. Com a ausência da internet, era impossível acessar a plataforma.  


Principais mudanças adquiridas


Na prática, isso significou uma mudança profunda na forma de acompanhar a trajetória dos estudantes. O lançamento de frequência, antes irregular, passou a ser feito diariamente. O rendimento escolar começou a ser monitorado em tempo real. 


Como explica Firmino, "Antes, professores alegavam não lançar a frequência diariamente por falta de dispositivos ou internet. Com a entrega dos notebooks e a conexão em todas as escolas, conseguimos melhorar significativamente o registro de frequência e o acompanhamento do desempenho dos alunos."


Os efeitos dessa integração ficaram evidentes na gestão do Programa Pé de Meia, iniciativa do Governo Federal voltada à permanência de estudantes do ensino médio. Com a digitalização dos dados, a rede estadual conseguiu identificar e corrigir mais de 18 mil matrículas duplicadas, um avanço que garantiu mais precisão, transparência e equidade na execução da política pública.


Mais do que resolver gargalos administrativos, a conectividade passou a reorganizar o cotidiano escolar. Gestores ganharam acesso rápido a informações estratégicas, escolas distantes passaram a se comunicar com mais fluidez com a Secretaria e professores passaram a integrar, com mais autonomia, ferramentas digitais ao planejamento de aula.


Hoje, com a infraestrutura conectada e os sistemas em funcionamento, o Rio Grande do Norte entra em uma nova etapa. O foco está em consolidar o uso pedagógico das tecnologias, ampliar a formação dos professores e fortalecer uma gestão educacional baseada em evidências.


O caso do RN mostra que a transformação digital da educação em escala não acontece por ações isoladas, mas pela combinação entre conectividade, dispositivos, sistemas integrados e apoio técnico contínuo. 


Uma experiência que dialoga com outros projetos apoiados pela MegaEdu, como os realizados em territórios ribeirinhos do Pará e nas escolas indígenas de Baía da Traição (PB), e que oferece aprendizados concretos para redes que buscam avançar com equidade, eficiência e impacto real na vida das escolas.


 
 
 
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