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Censo Escolar 2025 mostra avanço da conectividade: 93% das escolas públicas já têm acesso à internet, aponta análise da MegaEdu

A MegaEdu acaba de publicar uma nova nota técnica com análise dos microdados do Censo Escolar 2025, principal levantamento oficial sobre a educação básica no Brasil. O estudo examina o estágio atual da conectividade nas escolas públicas, identifica gargalos ainda existentes e aponta prioridades para a agenda de políticas públicas em 2026.


Os dados indicam que o país avançou na expansão da infraestrutura digital nas escolas. Hoje, 93% das escolas públicas brasileiras já têm acesso à internet, aproximando o país da universalização da conectividade.


Ainda assim, cerca de 9 mil escolas públicas brasileiras reportaram ausência de conexão à internet em maio de 2025. Desse total, 8.467 estão localizadas nas regiões Norte e Nordeste, onde se concentram os maiores desafios de infraestrutura. Entre os estados com maior número de unidades desconectadas estão Pará, Amazonas e Maranhão, que juntos somam aproximadamente 5 mil escolas nessa situação.


A boa notícia é que parte dessas redes já está em processo de contratação de internet. Políticas públicas voltadas à expansão da conectividade escolar indicam que cerca de 7 mil dessas unidades devem receber conexão.


O que muda quando a escola passa a ter internet


A conectividade impacta diretamente a rotina administrativa e pedagógica das escolas. Essa transformação pode ser observada no cotidiano de quem vive essa realidade: diretores, professores e estudantes.


Em muitas redes ainda desconectadas, tarefas administrativas simples exigem deslocamentos até as secretarias de educação. Diretores precisam sair da escola para registrar informações em sistemas oficiais, atualizar dados dos estudantes ou resolver processos administrativos. Dependendo da localização da unidade, esses deslocamentos podem levar horas — ou até dias.


Quando a internet chega à escola, esses processos passam a ser realizados diretamente na própria unidade. Foi o que aconteceu no Centro de Ensino Professor José Cesário da Silva, em Açailândia, no Maranhão. Com a chegada da conectividade, a equipe escolar passou a acessar os sistemas da secretaria diretamente da unidade, organizar dados dos estudantes e resolver processos administrativos sem precisar se deslocar.


Na prática, a conectividade reduz o tempo dedicado a tarefas burocráticas e permite que a direção concentre esforços no acompanhamento da rotina pedagógica da escola.

Para os professores, a internet se tornou uma ferramenta de trabalho. Sem conexão, o planejamento das aulas depende principalmente dos materiais disponíveis fisicamente na escola, o que limita o acesso a novos conteúdos e referências pedagógicas.


Com a conectividade, professores passam a acessar plataformas educacionais, conteúdos digitais e materiais de apoio que ampliam as possibilidades de ensino.

Essa mudança é relatada por Ângela Alves, professora da Escola Estadual Gilberto Mestrinho, em Manacapuru, no Amazonas. Quando chegou à escola, em 2016, a unidade ainda não possuía acesso à internet.


Hoje, os professores conseguem preencher o diário digital, realizar pesquisas para preparar as aulas e utilizar a tecnologia como apoio pedagógico no planejamento e na condução das atividades em sala.


Em regiões onde o deslocamento entre comunidades é difícil — como em partes da Amazônia — a conectividade também permite a transmissão de aulas e o compartilhamento de conteúdos entre escolas, ampliando o acesso dos estudantes a diferentes disciplinas.


O próximo desafio: dispositivos para uso educacional


É possível observar que o avanço na garantia do acesso à internet é fundamental para apoiar diretores e professores. Agora, o próximo passo é garantir que os alunos tenham acesso à quantidade adequada de dispositivos.


Afinal, quando esses recursos estão presentes, os alunos podem acessar conteúdos digitais, plataformas educacionais e ferramentas que ampliam as possibilidades de aprendizagem.


Em muitas regiões, o primeiro contato dos estudantes com computadores acontece dentro da própria escola. Este foi o caso de Luís Fernando Augusto Neves, de 14 anos, aluno do 8º ano da Escola Estadual Gilberto Mestrinho, que durante as aulas de informática teve seu primeiro contato com um dispositivo.


A experiência permitiu que Luís e os demais colegas da escola desenvolvessem habilidades digitais básicas.


O que eu mais gostei foi que a gente sempre via um computador e tinha vontade de mexer. Eu não tinha conhecimento, ficava só batendo nas teclas. Foi muito importante aprender a mexer no computador”, conta o aluno.


Atualmente, menos da metade das escolas públicas brasileiras (46%) possui computadores em quantidade considerada adequada para uso educacional, segundo referencial do Ministério da Educação. Além disso, uma em cada três escolas declara não possuir nenhum dispositivo disponível para uso


Ainda assim, há razões para otimismo: os Estados dispõem de aproximadamente R$2 bilhões em caixa,  decorrentes da Lei 14.172, para investir em sua infraestrutura escolar até dezembro de 2026. Essa é uma oportunidade sem precedentes para dar um salto na disponibilidade de equipamentos. As redes estaduais concentram a maioria das escolas de ensino médio; dessa forma, esse recurso pode possibilitar que, pelo menos nesta etapa, os alunos tenham acesso à tecnologia. 


A partir disso, é esperado que as próximas gerações saiam da escola muito mais preparadas para melhores oportunidades. Porém, se o valor não for executado até o prazo, ele terá de ser devolvido ao governo federal. 


Como consequência, é fundamental que os recursos sejam aplicados com urgência, aproveitando essa janela de oportunidade.

A nota técnica busca compreender onde estão essas escolas, quais fatores explicam a permanência do problema e quais passos podem acelerar sua superação.

Quer saber mais? Acesse os dados da nota em primeira mão.





 
 
 

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