top of page

Como Coruripe transformou suas avaliações escolares com uso de tecnologia

Reprodução: Prefeitura de Coruripe
Reprodução: Prefeitura de Coruripe

A quase 90 km de Maceió, entre praias e coqueirais do litoral sul de Alagoas, Coruripe carrega uma identidade que vai muito além do turismo. Hoje, a cidade define as coordenadas para o que se espera de uma rede pública de excelência - e a tecnologia é parte central dessa história.  


Em 2024, alcançou a primeira colocação nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) entre os municípios com mais de 50 mil habitantes — tanto nas séries iniciais quanto nas séries finais —, com notas 9,7 e 8,7, respectivamente, segundo a Prefeitura de Coruripe.


Esse avanço foi resultado de uma decisão da rede de ensino: integrar recursos digitais aos processos de avaliação, gestão e acompanhamento da aprendizagem.


A chegada da tecnologia


Durante muito tempo, acompanhar o desempenho dos alunos em Coruripe significava esperar. Esperar as provas impressas, a correção manual e os dados chegarem à secretaria, para só então agir. Nesse intervalo, lacunas de aprendizagem dos estudantes se aprofundavam em silêncio.


A professora Ana Karine, da EMEB Terezinha, lembra bem como era. "Antes, registrar a frequência e as notas era um desafio diário; muitas vezes dependíamos de planilhas e do tempo limitado de acesso à internet."


A mudança começou quando a rede municipal, integrada ao Consórcio Intermunicipal do Sul de Alagoas (Conisul) - parceiro tda MegaEdu -, passou a adotar avaliações digitais por meio do programa L@n Educa. A cada bimestre, técnicos da Secretaria de Educação visitam as escolas para habilitar as provas nos tablets. Os professores organizam a aplicação junto às turmas, e os resultados aparecem imediatamente após a conclusão das avaliações.


Mas a tecnologia, quando chega de verdade, raramente é recebida em silêncio.

"O primeiro teste foi um alvoroço", conta Ana Karine. "Os alunos tinham o tablet na mão e achavam que iam jogar. Foi bem trabalhoso para que entendessem que era uma avaliação, que precisava de concentração."


Esse momento de resistência — tanto dos alunos quanto dos próprios professores que nunca tinham conduzido uma prova digital — é parte honesta da história. A tecnologia não transformou a escola da noite para o dia. Ela exigiu adaptação e intencionalidade.


Da avaliação ao cotidiano


Com o tempo, o tablet deixou de ser novidade para se tornar rotina. E a rotina mudou tudo.


A correção em tempo real foi o primeiro ganho concreto. Professores e gestores passaram a saber, logo após cada avaliação, quais conteúdos precisavam ser revisados, quais turmas estavam ficando para trás e onde concentrar esforços. O intervalo entre aplicar uma prova e agir sobre os resultados — que antes podia levar semanas — praticamente desapareceu.


Mas o impacto foi além das avaliações. Plataformas como o Matific (plataforma premiada de jogos matemáticos para crianças do ensino infantil ao fundamental) passaram a fazer parte das aulas de matemática. "Eles entram no processo de competição e são muito competitivos. Tinha dias que eu estava em casa e eles me ligavam: 'professora, não estou conseguindo passar dessa fase, me ensina'. Tiravam print e mandavam para mim tarde da noite."


No fim, alunos que antes resistiam ao tablet passaram a buscar os conteúdos por conta própria, fora do horário escolar. Um deles, ao resolver uma questão de matemática mais complexa, surpreendeu Ana Karine com a explicação: "Eu vi no Minecraft." O conhecimento de mundo deles, mediado pela tecnologia, havia chegado antes da aula.


Para Ana Karine, o impacto no desempenho é perceptível e mensurável: "Com as plataformas, eu consigo monitorar cada aluno, ver quem avançou e quem ainda precisa de atenção." E na sua própria prática, a transformação é igualmente profunda: "Hoje eu não me vejo planejando sem uso da tecnologia. Já é parte da minha rotina."


O que Coruripe mostra para o Brasil


Coruripe não é uma exceção inexplicável. É um exemplo de que o acesso à tecnologia, quando acompanhado de intencionalidade pedagógica e apoio estruturado, pode transformar a forma como uma rede inteira aprende e se avalia.


O caminho não foi linear. Houve resistência, adaptação e aprendizado coletivo, com resultados como o que vimos nas notas dos alunos, ma, mais do que isso, está nas ações pontuais da rotina, como a professora que hoje entra em sala sabendo exatamente onde seus alunos precisam avançar. 


Para redes públicas que ainda dependem de processos mais lentos e fragmentados, a experiência de Coruripe aponta uma direção: a transformação não exige estar no centro do mapa. Exige escolher, com cuidado, por onde começar.


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page