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Conectando Futuros: MegaEdu e BID Discutem a Universalização da Conectividade nas Escolas Brasileiras

Confira os destaques do evento que reuniu especialistas e Secretarias de Educação para debater os desafios e oportunidades de implementar internet nas escolas públicas.



Pedro Passos; Luca Magli; Thomaz Galvão; Marcelo Perez; Miguel Brechner; Rosalvo Batista.


No dia 9 de maio, a MegaEdu, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizou a primeira edição do evento "Conectando Futuros". Este encontro reuniu especialistas e representantes de Secretarias de Educação para debater os desafios e oportunidades na implementação da internet nas escolas públicas. O principal objetivo foi celebrar as boas práticas e ações que estão contribuindo para a universalização da conectividade no Brasil e aprender com as experiências de sucesso do Uruguai.


O evento contou com a presença de renomados especialistas, como Miguel Brechner, fundador do Ceibal; Marcelo Perez, diretor geral de educação do BID; Rosalvo Batista e Pedro Passos, da Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes; e Luca Magli, da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Representantes do setor público, terceiro setor e organizações ligadas à tecnologia e inovação educacional também participaram.


Confira os destaques do evento.


Experiência de Mogi das Cruzes com Conectividade

Rossalvo Batista, Chefe da Divisão de Infraestrutura da SME de Mogi das Cruzes, compartilhou a experiência do município. Ele destacou que, antes do projeto de conectividade, cada escola era responsável por contratar sua própria internet, o que gerava desigualdades.


“Se a escola não tivesse recurso disponível, também não tinha link de internet adequado, não tinha Wi-Fi, dispositivos para os alunos e nem nada nesse sentido”, explicou Batista. "Trabalhamos junto com a MegaEdu para mudar a infraestrutura de conectividade da nossa rede e hoje todas as salas de aula de Mogi têm velocidade de 1 Mbps por aluno, Wi-Fi e dispositivos, como chromebooks, disponíveis para alunos e professores."


Rossalvo enfatizou a importância de garantir igualdade entre as escolas, independentemente da localização. “Semana que vem terminamos a conexão de todas as escolas da rede à internet de 1 Mbps por aluno. E a última escola a ser conectada em nosso município será uma escola indígena que não existia quando o projeto de conectividade começou, mas que será atendida com a mesma qualidade das demais”, concluiu.


Além da conectividade dos alunos, Mogi das Cruzes também investiu em tecnologia para melhorar a gestão escolar, permitindo uma tomada de decisão mais informada com base nos dados disponíveis.


MegaEscola: Projeto da Rede Estadual de São Paulo

O projeto MegaEscola, da rede estadual de São Paulo, foi criado para aumentar o link de internet e permitir o uso pedagógico da tecnologia em sala de aula. Luca Magli, diretor do Departamento de Tecnologia de Sistema da SEDUC São Paulo, ressaltou que o estado aprendeu muito com a MegaEdu, “especialmente em relação à infraestrutura e qualidade dos equipamentos”.


Um dos grandes desafios da rede estadual de São Paulo está em seu tamanho. "O estado de São Paulo, apesar de muito privilegiado em questão de recursos, é muito heterogêneo no sentido da estrutura das escolas. Temos escolas em regiões muito distantes. Para conectar uma escola quilombola, por exemplo, o cabeamento e os equipamentos precisaram chegar de mula, após 2h de trilha com a equipe de instalação.”


Luca também destacou a iniciativa de dados patrocinados da SEDUC, que garante acesso gratuito a aplicativos educacionais para alunos e professores, promovendo o aprendizado em qualquer lugar. “Através do investimento em dados patrocinados, alunos e professores podem acessar os aplicativos da rede de educação pelo próprio celular sem precisar pagar pela navegação. Nossa VPN reconhece o acesso e cobra a navegação da Secretaria”, explicou.


Ceibal: Transformação Educacional no Uruguai

O Ceibal surgiu da simples pergunta: por que não fornecemos um computador para cada aluno do país? Essa iniciativa, liderada por Miguel Brechner, cresceu de uma pequena equipe de 7 pessoas para mais de 400 profissionais dedicados ao uso de tecnologia na educação. Miguel enfatiza que o Ceibal é uma organização comprometida com a educação e a equidade.


No Uruguai, o Ceibal investiu em recursos digitais, como uma plataforma de avaliação e um programa de formação para docentes. "Faz sentido seguir com pedagogias antigas? Como a tecnologia pode desafiar e ajudar a empoderar a pedagogia?", questiona Miguel, ressaltando a importância de repensar os métodos educacionais tradicionais.


Os pilares do Ceibal incluem conectividade, dispositivos, novas pedagogias, formação de docentes, um novo desenho institucional e plataformas digitais. Miguel destaca que todos esses aspectos devem caminhar juntos para que a conectividade faça diferença na educação. "Este é um projeto muito grande e, consequentemente, gera transformações muito grandes", conclui Miguel.



Visões sobre a Conectividade Pedagógica no Brasil

A partir das reflexões apresentadas por Rosalvo, Luca e Miguel, o diretor de operações da MegaEdu, Thomaz Galvão, propôs uma discussão para Marcelo Perez e Pedro Passos, com objetivo de refletir em que medida as experiências compartilhadas entre Brasil e Uruguai podem melhorar a educação.


Marcelo Perez enfatizou o engajamento da sociedade civil brasileira na educação, afirmando que o Brasil possui uma das sociedades civis mais dinâmicas e engajadas na América Latina. Ele destacou que a conectividade é uma ferramenta que já transformou negócios e o trabalho, e deve ser incorporada nas escolas de maneira inclusiva. "A conectividade não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona. Você deve estar preparado para todos os quilômetros e desafios do caminho", disse Marcelo.


Ele também pontuou que conectar escolas é apenas o primeiro passo. "Há um esforço grande em conectar, mas há uma diferença grande entre disponibilizar e garantir a utilização. Disponibilizar é a parte mais simples. Mas para garantir que a tecnologia funcione, você precisa de uma gestão eficiente." Segundo Marcelo, o grande desafio do Brasil é desenvolver estratégias que garantam a sustentabilidade técnica e financeira da conectividade nas escolas.


Pedro Passos, Diretor do Departamento de Tecnologia Educacional da SME, destacou que Mogi das Cruzes enfrentava desafios significativos, com áreas que não contavam com sequer sinal de celular. Hoje, escolas nessas mesmas localidades têm 1 Mbps por aluno, com internet via fibra ótica. "Muitas coisas bonitas que ouvimos na teoria sobre a educação, a gente fica feliz de ver a tecnologia fazer na prática, como equidade e geração de oportunidades para todas as crianças" disse ele.


Ele explicou que o desafio não era apenas conectar alunos e salas de aula, mas levar a oportunidade de desenvolvimento para a cidade inteira. Para Pedro a infraestrutura das escolas conectadas pode servir como um hub de conectividade para os serviços públicos e comunidades ao redor. "A gente percebeu que temos a possibilidade de aproveitar a infraestrutura da educação como um hub de conectividade para toda cidade" ressaltou.


Passos também mencionou que, embora ainda não tenham conseguido garantir um computador por aluno, como no Uruguai, cada professor agora tem um computador. Isso diminuiu a rejeição à tecnologia e aumentou o uso em sala de aula. Ele acrescentou que, com a tecnologia, é possível ver o desempenho dos alunos de forma mensurável e usar esses dados para melhorar a educação e a gestão escolar. 



O evento "Conectando Futuros" foi um marco importante na discussão sobre a universalização da conectividade nas escolas brasileiras. As experiências e insights compartilhados pelos especialistas destacaram a importância da infraestrutura tecnológica na promoção da equidade e na melhoria da qualidade da educação. A parceria entre MegaEdu, BID e diversas secretarias de educação mostra que, com comprometimento e visão, é possível superar desafios e transformar a realidade educacional no Brasil.


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